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		<title>Soteropolitanos</title>
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			<item>
		<title>A feira</title>
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		<comments>http://soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/2009/10/06/a-feira/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 12:43:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[POESIA]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/?p=158</guid>
		<description><![CDATA[por Everaldo Cerqueira
Antes do Sol aparecer,
São Joaquim acorda:
Com galos cantando,
Galinhas cacarejando,
Porcos roncando,
Bode berrando,
Esse é o seu dia-a-dia,
Com seus sons típicos,
Sem muita agonia.

Antes do Sol aparecer,
São Joaquim renasce:
Com povo falando,
Feirantes mercando,
Ambulantes anunciando,
Carregadores passando,
Esse é o seu dia-a-dia,
Faça chuva ou Sol,
Sem muita agonia.
Antes do Sol aparecer,
São Joaquim desperta:
Com boxes abrindo,
Rádios tocando,
Bancas se armando,
Ônibus passando,
Esse é o seu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com&blog=1554968&post=158&subd=soteropolitanosdacidadebaixa&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div id="attachment_165" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-165" title="fitinhas carla sampaio" src="http://soteropolitanosdacidadebaixa.files.wordpress.com/2009/10/fitinhas-carla-sampaio.jpg?w=400&#038;h=267" alt="Foto: Carla Sampaio" width="400" height="267" /><p class="wp-caption-text">Foto: Carla Sampaio</p></div>
<p>por Everaldo Cerqueira</p>
<p>Antes do Sol aparecer,<br />
São Joaquim acorda:<br />
Com galos cantando,<br />
Galinhas cacarejando,<br />
Porcos roncando,<br />
Bode berrando,<br />
Esse é o seu dia-a-dia,<br />
Com seus sons típicos,<br />
Sem muita agonia.<br />
<span id="more-158"></span></p>
<p>Antes do Sol aparecer,<br />
São Joaquim renasce:<br />
Com povo falando,<br />
Feirantes mercando,<br />
Ambulantes anunciando,<br />
Carregadores passando,<br />
Esse é o seu dia-a-dia,<br />
Faça chuva ou Sol,<br />
Sem muita agonia.</p>
<p>Antes do Sol aparecer,<br />
São Joaquim desperta:<br />
Com boxes abrindo,<br />
Rádios tocando,<br />
Bancas se armando,<br />
Ônibus passando,<br />
Esse é o seu dia-a-dia,<br />
Dos feirantes da Bahia,<br />
Com entusiasmo e alegria.</p>
<p>Mas, quando o dia amanhece,<br />
São Joaquim já é procissão,<br />
Todo tipo de gente aparece,<br />
A buca de boxes por indicação,<br />
Que têm nomes de Santos,<br />
Seja São Cosme ou São Damião,<br />
É a feira de todos os Santos,<br />
Barracas têm nomes de Orixás,<br />
É feira de tudo e de todos,<br />
Seja Oxalá, Ogum ou Oxumaré,<br />
É a feira também dos Orixás,<br />
São Joaquim é feira tradicional,<br />
Frequentada pelos babalorixás<br />
Vende de tudo para todos,<br />
Pois é patrimônio cultural,<br />
Vende tempero divino,<br />
Como manda a fé popular</p>
<p>São Joaquim é a feira da Bahia,<br />
É a feira dos sanfoneiros<br />
E feira da pura alegoria.<br />
É a feira dos violeiros<br />
E feira da perfeita alegria.<br />
É a feira dos beberiqueiros<br />
E feira da simpatia.<br />
É a feira dos marreteiros<br />
E feira de poesia.<br />
É a feira dos repentistas,<br />
E feira da boa magia.<br />
É a feira dos artistas<br />
E retrato da Bahia.<br />
São Joaquim é alegria,<br />
É feira de tudo e de todos,<br />
E é patrimônio da Bahia.</p>
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			<media:title type="html">Soteropolitanos</media:title>
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			<media:title type="html">fitinhas carla sampaio</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Irmã Dulce</title>
		<link>http://soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/2009/05/23/irma-dulce/</link>
		<comments>http://soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/2009/05/23/irma-dulce/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 23 May 2009 15:12:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[POESIA]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/?p=118</guid>
		<description><![CDATA[
por Everaldo Cerqueira
Sua obra é eterna e nobre,
O seu nobre ministério,
Sempre a serviço do pobre,
Fez do amor o seu império.

O amor foi sempre o seu mistério,
Como a eterna luz da divindade.
Do seu humilde e santo relicário
Veem as bênçãos da eternidade.
Tinha por templo a caridade,
Por símbolo a fé e o puro amor.
Seu sorriso era pura bondade,
Igual [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com&blog=1554968&post=118&subd=soteropolitanosdacidadebaixa&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<p style="margin-bottom:0;">por Everaldo Cerqueira</p>
<p>Sua obra é eterna e nobre,<br />
O seu nobre ministério,<br />
Sempre a serviço do pobre,<br />
Fez do amor o seu império.<br />
<span id="more-118"></span></p>
<p>O amor foi sempre o seu mistério,<br />
Como a eterna luz da divindade.<br />
Do seu humilde e santo relicário<br />
Veem as bênçãos da eternidade.</p>
<p>Tinha por templo a caridade,<br />
Por símbolo a fé e o puro amor.<br />
Seu sorriso era pura bondade,<br />
Igual o desabrochar de uma flor.</p>
<p>Sua vida foi sempre à santidade,<br />
Como um anjo a serviço de Cristo,<br />
Com imenso amor e humildade.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/118/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/118/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/118/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/118/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/118/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/118/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/118/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/118/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/118/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/118/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com&blog=1554968&post=118&subd=soteropolitanosdacidadebaixa&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Soteropolitanos</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Beira-mar, beira-terra</title>
		<link>http://soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/2009/04/05/beira-mar-beira-terra/</link>
		<comments>http://soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/2009/04/05/beira-mar-beira-terra/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 05 Apr 2009 22:25:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIDADE]]></category>

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		<description><![CDATA[Os habitantes de uma avenida da Península de Itapagipe, encravada entre a baía de Todos os Santos e o chão firme da Ribeira
Texto e fotos: Tom Correia*
Dia útil numa manhã de março. Caminhar por uma rua estreita que margeia pequenas ondas é um prêmio concedido aos privilegiados que conseguem tempo livre. O silêncio, a calmaria [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com&blog=1554968&post=74&subd=soteropolitanosdacidadebaixa&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Os habitantes de uma avenida da Península de Itapagipe, encravada entre a baía de Todos os Santos e o chão firme da Ribeira</p>
<p style="text-align:justify;">Texto e fotos: Tom Correia*</p>
<p style="text-align:justify;">Dia útil numa manhã de março. Caminhar por uma rua estreita que margeia pequenas ondas é um prêmio concedido aos privilegiados que conseguem tempo livre. O silêncio, a calmaria e as imagens que a avenida Beira-Mar oferece aos passantes formam uma receita de rara combinação, válida apenas de segunda a sexta: nos fins-de-semana o refúgio é depredado por gente vinda de toda parte em busca de diversão barata.</p>
<p style="text-align:justify;">Fora dali, Salvador ferve a 460 graus. Aniversário e atmosfera da cidade se confundem com uma mística ultrapassada. A urbe ressentida de ausências já não proporciona mais a mesma tranquilidade. O indivíduo ordeiro de tempos atrás, agora pode ser uma ameaça oculta nas esquinas. O tráfico que se multiplica e se fortalece. O trânsito que asfixia. A saúde que desassiste e ignora. A população deselegante que rega becos, muros e postes com líquidos pouco nobres. O transporte público obsoleto que carrega os passageiros como fardos. O desemprego que humilha.</p>
<p style="text-align:justify;">A Beira-mar é uma via de escape, acesso a locais que mantêm natural ligação com o passado. Da Penha à Baixa do Bonfim, do Largo da Ribeira à Madragoa, do Banco dos Vadios à “Ponte” do Crush, cada um possui seu próprio brilho.  Acolhedora, a rua plana permite testemunhar a dedicação do funcionário público que cuida do seu barco como um filho enfermo. Ali se vê o riso otimista dos vendedores das barracas ainda vazias, o carrinho de pipoca que também suspira à espera de clientes. Pelo caminho, encontra-se um garoto que trata o peixe com habilidade e desenvoltura. “Aprendi olhando”, ele revela com a simplicidade dos pescadores. Mais adiante, avista-se um homem que carrega gelo sem tempo para admirar as ilhas do outro lado.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem navega pela avenida e ancora em algum dos seus portos recebe o vento no corpo e dificilmente se recupera: há quem plante o pé e compre uma casa. Há quem retorne compulsivamente para revigorar a alma.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_76" class="wp-caption aligncenter" style="width: 478px"><img class="size-full wp-image-76" title="Bogari" src="http://soteropolitanosdacidadebaixa.files.wordpress.com/2009/04/tom23_1.jpg?w=468&#038;h=324" alt="Praia do Bogari, Ribeira, antigo local de veraneio da sociedade baiana" width="468" height="324" /><p class="wp-caption-text">Praia do Bogari, Ribeira, antigo local de veraneio da sociedade baiana</p></div>
<p><span id="more-74"></span></p>
<div id="attachment_79" class="wp-caption aligncenter" style="width: 342px"><img class="size-full wp-image-79" title="Reparos" src="http://soteropolitanosdacidadebaixa.files.wordpress.com/2009/04/tom23_2.jpg?w=332&#038;h=500" alt="Barco com avarias, mecânico atento" width="332" height="500" /><p class="wp-caption-text">Barco com avarias, mecânico atento</p></div>
<div id="attachment_80" class="wp-caption aligncenter" style="width: 478px"> </dt>
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-80" title="Reparos II" src="http://soteropolitanosdacidadebaixa.files.wordpress.com/2009/04/tom23_3.jpg?w=468&#038;h=309" alt="Precisão no reparo em nome de futuras navegações" width="468" height="309" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd"> <!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Times new roman,serif;">Precisão no reparo em nome de futuras navegações<br />
</span></p>
</dd>
</dl>
</div>
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<dl class="wp-caption aligncenter">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-82" title="Reparos III" src="http://soteropolitanosdacidadebaixa.files.wordpress.com/2009/04/tom23_4.jpg?w=468&#038;h=310" alt="Luz de segurança num mar de almirante" width="468" height="310" /><p class="wp-caption-text">Luz de segurança num mar de almirante</p></div>
<div id="attachment_83" class="wp-caption aligncenter" style="width: 478px"><img class="size-full wp-image-83" title="Banco dos Vadios" src="http://soteropolitanosdacidadebaixa.files.wordpress.com/2009/04/tom23_5.jpg?w=468&#038;h=309" alt="Criado em 1940, o banco dos vadios é ponto de encontro de boêmios que não ingerem bebida alcoólica" width="468" height="309" /><p class="wp-caption-text">Criado em 1940, o banco dos vadios é ponto de encontro de boêmios que não ingerem bebida alcoólica</p></div>
<div id="attachment_88" class="wp-caption aligncenter" style="width: 478px"><img class="size-full wp-image-88" title="Andarilho" src="http://soteropolitanosdacidadebaixa.files.wordpress.com/2009/04/tom23_6.jpg?w=468&#038;h=310" alt="Na labuta sob o sol, o picolé que ameniza o calor" width="468" height="310" /><p class="wp-caption-text">Na labuta sob o sol, o picolé que ameniza o calor</p></div>
<div id="attachment_90" class="wp-caption aligncenter" style="width: 478px"><img class="size-full wp-image-90" title="Espera" src="http://soteropolitanosdacidadebaixa.files.wordpress.com/2009/04/tom23_7.jpg?w=468&#038;h=310" alt="Em frente ao colégio, a pipoca aguarda os clientes mais assíduos" width="468" height="310" /><p class="wp-caption-text">Em frente ao colégio, a pipoca aguarda os clientes mais assíduos</p></div>
<div id="attachment_92" class="wp-caption aligncenter" style="width: 478px"><img class="size-full wp-image-92" title="Espera II" src="http://soteropolitanosdacidadebaixa.files.wordpress.com/2009/04/tom23_8.jpg?w=468&#038;h=310" alt="Otimistas, Jade e Tata esperam à sombra pela clientela" width="468" height="310" /><p class="wp-caption-text">Otimistas, Jade e Tata esperam à sombra pela clientela</p></div>
<div id="attachment_94" class="wp-caption aligncenter" style="width: 478px"><img class="size-full wp-image-94" title="Espera III" src="http://soteropolitanosdacidadebaixa.files.wordpress.com/2009/04/tom23_9.jpg?w=468&#038;h=310" alt="Apenas nos dias de semana a praia parece feita para poucos" width="468" height="310" /><p class="wp-caption-text">Apenas nos dias de semana a praia parece feita para poucos</p></div>
<div id="attachment_95" class="wp-caption aligncenter" style="width: 478px"><img class="size-full wp-image-95" title="Cristiano" src="http://soteropolitanosdacidadebaixa.files.wordpress.com/2009/04/tom23_10.jpg?w=468&#038;h=310" alt="Solitário no fim da feira, Cristiano trata o pescado do dia" width="468" height="310" /><p class="wp-caption-text">Solitário no fim da feira, Cristiano trata o pescado do dia</p></div>
<div id="attachment_97" class="wp-caption aligncenter" style="width: 478px"><img class="size-full wp-image-97" title="Cristiano II" src="http://soteropolitanosdacidadebaixa.files.wordpress.com/2009/04/tom23_11.jpg?w=468&#038;h=310" alt="Não é fácil, mas ainda dá pra tirar algum do mar" width="468" height="310" /><p class="wp-caption-text">Não é fácil, mas ainda dá pra tirar algum do mar</p></div>
<div id="attachment_100" class="wp-caption aligncenter" style="width: 478px"><img class="size-full wp-image-100" title="Cristiano III" src="http://soteropolitanosdacidadebaixa.files.wordpress.com/2009/04/tom23_12.jpg?w=468&#038;h=309" alt="Força e agilidade para destrinchar a arraia" width="468" height="309" /><p class="wp-caption-text">Força e agilidade para destrinchar a arraia</p></div>
<div id="attachment_102" class="wp-caption aligncenter" style="width: 478px"><img class="size-full wp-image-102" title="Labor" src="http://soteropolitanosdacidadebaixa.files.wordpress.com/2009/04/tom23_13.jpg?w=468&#038;h=309" alt="Gelo que chega do subúrbio para abastecer pescadores" width="468" height="309" /><p class="wp-caption-text">Gelo que chega do subúrbio para abastecer pescadores</p></div>
<div id="attachment_104" class="wp-caption aligncenter" style="width: 478px"><img class="size-full wp-image-104" title="Labor II" src="http://soteropolitanosdacidadebaixa.files.wordpress.com/2009/04/tom23_14.jpg?w=468&#038;h=310" alt="Quem nasce aqui não tem coragem de ir embora..." width="468" height="310" /><p class="wp-caption-text">Quem nasce aqui não tem coragem de ir embora...</p></div>
<div id="attachment_105" class="wp-caption aligncenter" style="width: 478px"><img class="size-full wp-image-105" title="Labor III" src="http://soteropolitanosdacidadebaixa.files.wordpress.com/2009/04/tom23_15.jpg?w=468&#038;h=310" alt="Sob o céu de meio-dia, trabalho e diversão convivem lado a lado" width="468" height="310" /><p class="wp-caption-text">Sob o céu de meio-dia, trabalho e diversão convivem lado a lado</p></div>
<p>* Escritor e fotógrafo. Prêmio Braskem de Literatura 2002 com o livro <em>Memorial dos medíocres </em> (Editora Casa de Palavras). Colunista da revista eletrônica <em>Verbo21</em>. Edita o blog  <em>A caverna do escriba</em> e colabora com a <em>Soteropolitanos</em>.</p>
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			<media:title type="html">Bogari</media:title>
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			<media:title type="html">Reparos</media:title>
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			<media:title type="html">Reparos II</media:title>
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			<media:title type="html">Banco dos Vadios</media:title>
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			<media:title type="html">Andarilho</media:title>
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			<media:title type="html">Espera</media:title>
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			<media:title type="html">Labor II</media:title>
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		<title>Jaime Figura &#8211; o Basquiat baiano</title>
		<link>http://soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/2007/10/28/jaime-figura-o-basquiat-baiano/</link>
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		<pubDate>Sun, 28 Oct 2007 15:38:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>

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		<description><![CDATA[“Eu vivo aqui pensando como sobreviver,
Enquanto o mundo vai girando” (Jaime Figura)
por Vanessa Barroso
Quem avista pela primeira vez aquela figura exótica, com máscara de ferro, vestes que lembram os orixás Exu e Oxóssi e apetrechos espalhados pelo corpo, caminhando pelas ruas do Comércio, nem imagina que por trás de toda aquela parafernália existe um ser [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com&blog=1554968&post=69&subd=soteropolitanosdacidadebaixa&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify">“Eu vivo aqui pensando como sobreviver,<br />
Enquanto o mundo vai girando” (Jaime Figura)</p>
<p>por Vanessa Barroso</p>
<p align="justify">Quem avista pela primeira vez aquela figura exótica, com máscara de ferro, vestes que lembram os orixás Exu e Oxóssi e apetrechos espalhados pelo corpo, caminhando pelas ruas do Comércio, nem imagina que por trás de toda aquela parafernália existe um ser humano sensível e intelectualizado. Jaime Figura, como é conhecido e prefere ser chamado, é o tipo de artista que provoca inquietações por onde passa.<span id="more-69"></span></p>
<p align="justify">“Eu comecei a me vestir assim por conta da minha trajetória de vida, os sentimentos em si, que me fizeram fazer um trabalho que vestisse meu corpo através do tempo para violência. Quando surgiu o movimento punk eu era visto como marginal e as pessoas insistiam em olhar em meus olhos e dizer que eu era cínico, marginal, diante disso eu peguei e escondi o rosto para que vissem só a minha obra”, disse Jaime.  Aos 53 anos, o homem-figura diz já ter sido agredido várias vezes e a maneira como ele responde essas agressões é utilizando os apetrechos que transformam o ex-boêmio num personagem que desperta a curiosidade dos que transitam pelo bairro do Comércio, em Salvador.</p>
<p align="justify">O artista misterioso diz não se importar com o medo e o preconceito que algumas pessoas têm da sua imagem, uma vez que ele não se vê. “Eu não me olho no espelho para não ver o que as pessoas estão vendo, por que se eu sair de casa e me olhar no espelho eu irei ver que estou realmente diferente do ser humano. Quando alguém se assusta comigo eu digo que não sou aquilo que a pessoa está vendo, me olhar é ver a imagem que a ordem faz”, falou Jaime.</p>
<p align="justify">Jaime Figura é um autodidata, um andarilho que inspira poesia e inteligência e ainda assim o menino que não se conhece até hoje fala com tristeza da rejeição familiar. Segundo ele, por ser um homem negro que vestia roupas exóticas, a família não lhe dava crédito. Entretanto, Jaime possui vários filhos, já teve várias mulheres e amantes. Atualmente ele vive com a última família.</p>
<p align="justify">O artista é um boêmio, teve várias mulheres, mas não se casou com nenhuma, pois o que ele queria é ter filhos. Apesar de ser um bom vivant, diz ser a própria morte por não desfrutar da vida como antes, vida que ele define como gostosa. O ser vivo, não ateu, que dorme em caixão, não esconde certa melancolia ao falar de uma das suas amantes, que morreu. Segundo Jaime, o amor não vingou por conta das diferenças sociais. Ela era uma dama da sociedade e ele um artista marginalizado. “A morte dela foi horrível, apesar de não poder ficar com ela por causa das famílias que também não permitiam uma imagem dessas se relacionando com uma mulher da sociedade”.</p>
<p align="justify">Durante a entrevista, crianças passam e mexem com Jaime, que tem uma reação inesperada e diz que as crianças são a sua morte, pois ele não pode abrir mão delas. “As crianças me adoram, mas eu não posso deixar, pois eu não sou palhaço e se eu fizer sintonia com elas eu perco minha essência”.</p>
<p align="justify">Jaime, que em breve vai inaugurar seu atelier com obras sobre as peripécias de Hitler, afirma ter pouco estudo e já ter vivido de renda, entretanto, no período de crise do governo Collor, ele caiu na miséria. Assim como Jean-Michael Basquiat, artista que viveu em Nova York, que vivia pelas ruas fazendo arte nos muros, Jaime constrói sua arte. Ambos frutos do contexto urbano, Jaime Figura reproduz sua ambiência em seu corpo e nas paredes do Mercado Modelo.</p>
<p>(junho de 2006)</p>
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		<title>ibonfim</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jun 2007 14:03:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIDADE]]></category>

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		<description><![CDATA[
Um computador na mão e uma idéia na cabeça
por Thiago Requião
Glauber Rocha costumava sempre dizer que o mais importante era ter “uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”. Mudando um pouco o instrumento usado, porem seguindo a mesma lógica do grande cineasta baiano, os quatro amigos de infância se juntaram para criar o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com&blog=1554968&post=59&subd=soteropolitanosdacidadebaixa&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify"><a href="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/Rm_6UCDEEDI/AAAAAAAAArI/iDTNk9QARTk/s1600-h/ibonfim.jpg"><img style="display:block;cursor:hand;text-align:center;margin:0 auto 10px;" src="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/Rm_6UCDEEDI/AAAAAAAAArI/iDTNk9QARTk/s320/ibonfim.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p align="justify">Um computador na mão e uma idéia na cabeça<br />
por Thiago Requião</p>
<p align="justify">Glauber Rocha costumava sempre dizer que o mais importante era ter “uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”. Mudando um pouco o instrumento usado, porem seguindo a mesma lógica do grande cineasta baiano, os quatro amigos de infância se juntaram para criar o site www.ibonfim.com, que teve início em 12 de setembro de 2005, e hoje é o portal on-line da Cidade Baixa. Mesmo com toda a burocracia para abrir uma empresa, a elevada carga tributária e dificuldades financeiras, eles tiveram uma idéia e lutam para vê-la crescer. Provando que com organização, determinação e muita coragem podem ir longe.<span class="fullpost"> <span id="more-59"></span></span></p>
<p align="justify">Alem de sócios, os quatro criadores do portal, Elbert Reis, Talita Lopes, Silvio Antunes e Adriano Fialho, são velhos amigos de infância, o que facilita a convivência e as discussões sobre os trabalhos desenvolvidos. Com o tempo se juntaram mais três membros à equipe do portal, dois jornalistas, Priscila Natividade e Tom Correia, e um fotógrafo, Mário Sérgio. Para iniciar um projeto como este, onde não se tem certeza dos resultados a curto prazo, é preciso grande coragem, já que a maioria dos fundadores do projeto largou a faculdade para se dedicar exclusivamente à empresa. Adriano já havia cursado três faculdades (engenharia elétrica, matemática e ciências da computação), Silvio fazia ciências da computação, Elbert cursava duas faculdades ao mesmo tempo (engenharia química na UNEB e engenharia ambiental na UFBA), mas teve que largar a UFBA para se dedicar mais aos projetos e Talita, a única que já se formou, é administradora de empresas.</p>
<p align="justify"><strong>Diferença dos outros portais</strong><br />
Todos são moradores da Cidade Baixa e buscam, com o portal, informar à população de toda a Salvador sobre a história, os atrativos e o que está acontecendo dia-a-dia na região, com isso eles pretendem valorizar a Cidade Baixa. “Vamos fazer um site que vise tá valorizando a Cidade Baixa, já que a gente é morador. Vamos fazer um portal pra mudar a realidade da Cidade Baixa”, com essa idéia Elbert Reis começou a pensar e encaminhar o que viria a se transformar no IBONFIM. Antes de colocarem as idéias do site em prática, eles fizeram uma pesquisa, para verem a viabilidade do produto, e descobriram que muitas pessoas não se interessavam, ou não gostavam da região por não conhecerem seus atrativos e sua rica história. Causando, com essa falta de conhecimento, certo preconceito.</p>
<p align="justify">Quem visitar o ibonfim.com vai se deparar com um conteúdo que vai de indicações dos pontos turísticos e utilidades em geral, até noticias internacionais. Sem esquecer, é claro, das noticias e acontecimentos da própria Cidade Baixa, que é o foco principal. O diferencial apontado pelos sócios do portal é o foco direcionado na Cidade Baixa, a preocupação com a qualidade da diagramação, a atualização do conteúdo divulgado no site e os temas variados. “O portal não é um site focado em festas. A gente cobre alguns eventos, mas não é focado só em festa. Já tem muitos sites que cobrem festas”, afirma Elbert em relação aos focos do portal.</p>
<p align="justify"><strong>Novos planos e a burocracia</strong><br />
O faturamento da empresa vem das propagandas expostas na página do portal e futuramente será inaugurado o shopping on-line, que venderá exclusivamente artesanatos. Todos os parceiros do Ibonfim estão localizados na Cidade Baixa. São academias, supermercados, lojas e muitos serviços oferecidos na região. Para o fortalecimento da marca Ibonfim eles acertam diversas parcerias como, por exemplo, o Festival Internacional de Artistas de Rua, realizado na Ribeira, e que foi coberto pelos membros do portal. Essa parceria se faz na forma de uma divulgação mutua, ou seja, eles divulgam o festival e, em contrapartida, a marca do site aparece em pontos estratégicos. Essa forma de parceria também é realizada com outras diversas empresas e eventos.</p>
<p align="justify">Os principais problemas que dificultam o crescimento de um empreendimento, segundo Elbert, são as altas taxas tributárias cobradas e a grande burocracia para abrir uma empresa no Brasil. Eles estipulam que com a criação do shopping on-line terão de pagar aproximadamente 10% de imposto por cada nota emitida pela venda de um produto, isso significa dizer que a cada venda da loja virtual será pago em média 10% ao governo, sem contar os demais encargos cobrados para que se possa registrar uma marca.</p>
<p align="justify">“O grande lance é você tentar se enxergar como um empreendedor, não é uma coisa fácil. Primeiro tem que ter coragem. É a questão da escolha, você saber o que você quer. Se eu quero isso então eu vou correr atrás daquilo e não vou ficar pensando ‘a se eu fizesse aquilo aconteceria isso’, se você quer ser empresário, então pronto, vá pra frente”. Esse é o recado deixado pela equipe do portal do Ibonfim para todos que desejam ser empresários e ter seu próprio negócio. Ser empreendedor atualmente no Brasil não é uma missão fácil. São muitos os impostos, a burocracia e tantos outros problemas que impedem ou desestimulam a criação de uma empresa, mas com dedicação, conhecimento do produto e do mercado consumidor, confiança no seu trabalho, coragem e disposição, é possível vencer.<br />
(maio de 2007)</p>
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		<title>Viagem ao remo de Itapagipe</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jun 2007 13:59:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[ESPORTE]]></category>

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		<description><![CDATA[A tradição, os tempos áureos, a realidade decadente e os dias vindouros do esporte na península.
por Murilo Alves
Desponta uma alvorada em Itapagipe. São 4h22. Sobre as águas calmas do mar da Ribeira, repousam 12 escunas e cinco barcos de pesca. Há um deserto na Av. Beira Mar, a altura do Porto dos Tainheiros. Nem mesmo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com&blog=1554968&post=58&subd=soteropolitanosdacidadebaixa&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify"><a href="http://bp3.blogger.com/_973wIKk3WZc/Rn7rjyDEElI/AAAAAAAAAvY/rgXNIERaHUk/s1600-h/barcos+carlso+vieira.bmp"><img style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" src="http://bp3.blogger.com/_973wIKk3WZc/Rn7rjyDEElI/AAAAAAAAAvY/rgXNIERaHUk/s320/barcos+carlso+vieira.bmp" border="0" alt="" /></a>A tradição, os tempos áureos, a realidade decadente e os dias vindouros do esporte na península.<br />
por Murilo Alves</p>
<p align="justify">Desponta uma alvorada em Itapagipe. São 4h22. Sobre as águas calmas do mar da Ribeira, repousam 12<a href="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/RiVpg1a_DgI/AAAAAAAAAMs/eWf0kciTKWc/s1600-h/por+sol+risodalva+souto.bmp"></a> escunas e cinco barcos de pesca. Há um deserto na Av. Beira Mar, a altura do Porto dos Tainheiros. Nem mesmo os primeiros ônibus começaram a circular. Pode-se tocar o silêncio, ouvi-lo, inclusive, tamanho o aspecto sereno e a mansidão proporcionada pelo quebrar das ondas na costa da praia. Os ares da península exalam o contraste dos tempos e o charme fascinante de um dos lugares mais tradicionais de Salvador. Trata-se do berço e da morada do remo na cidade.<span id="more-58"></span></p>
<p align="justify">Antes disso, às 4h, há o caminho a ser feito a pé do Bonfim até a Ribeira, por meio da Av. Caminho de Areia. Raros são os carros que circulam a esta hora. As luzes refletidas pelos postes ainda fazem efeito no asfalto irregular. Os poucos pedestres que se cruzam olham-se com medo, cena incomum na Itapagipe do início do século XX, quando a violência urbana na região era apenas uma triste fábula. São alguns dos acontecimentos que antecedem a visita a realidade dos clubes de remo da Península. Defronte ao Hotel Ribeira, um travesti interrompe os meus passos rápidos e eu temo ser assaltado. Em seguida, me pede R$ 0,50 para comprar um lanche. Dou-lhe algumas moedas e digo ser tudo o que tenho. Ele agradece e me deseja um bom dia. Prossigo mais calmo em minha jornada.</p>
<p align="justify">Estar sobre as calçadas da Av. Mem de Sá remete a uma viagem no tempo. Era o final do século XIX e o início do XX. Neste período, foram fundados os quatro principais clubes de regata do Estado da Bahia: São Salvador, Vitória, Itapagipe e Santa Cruz. As mesmas agremiações permanecem sediadas na Ribeira, relativamente próximas umas das outras. Segundo o arquivo histórico da Federação Baiana de Remo e matérias de jornais da época, esta prática esportiva já nasceu elitista. Naquele contexto, os próprios filhos das classes abastadas de Salvador faziam questão de financiar as práticas náuticas da cidade.</p>
<p align="justify">Milhares de pessoas lotavam não só as imediações do Porto dos Tainheiros, local das competições, mas até mesmo o tráfego de veículos era interrompido desde o Largo da Madragoa, devido à multidão que se aglomerava para ver os remadores. Os homens vestiam paletó de linho branco e calça de riscado, enquanto as damas exibiam os chapéus franceses da época e os longos vestidos da moda européia, mesmo sob o sol escaldante de Salvador. Era um luxo só. O remo em Itapagipe era tão concorrido como o futebol. Tratava-se de um grande acontecimento.<br />
<strong><br />
Tempos de crise<br />
</strong>Com o processo migratório da alta sociedade de Salvador, que passou da Cidade Baixa para a orla, os investimentos destinados ao remo de Itapagipe ficaram escassos. Os clubes passaram a custear os gastos com dinheiro do próprio bolso. Salvo os raros auxílios oriundos do poder público. Realidade, aliás, que perdura até os dias de hoje. Para o técnico da equipe de remo do Esporte Clube Vitória (atual tetracampeão baiano), Antônio José Silva Santos, o “Toinho”, “há uma falta de cultura dos empresários para investir no remo da Bahia”. Dessa forma, o remo baiano hoje é apenas figurante na Taça Brasil, isso quando a disputa, o que fez crescer a indesejável fama de “eterno vice” na Copa Norte/Nordeste.</p>
<p align="justify">Dos quatro clubes itapagipanos, o Vitória é o que vive dias melhores, graças às verbas destinadas ao futebol do rubro-negro, pois uma pequena parte é aplicada também no esporte amador. As demais agremiações dependem do que arrecadam junto a Federação Baiana de Remo, Federação dos Clubes de Regatas de Itapagipe e eventos como jantares.</p>
<p align="justify">A última atenção da prefeitura de Salvador para o remo de Itapagipe ocorreu em maio do ano passado. O palanque para as autoridades foi reformado e o prefeito João Henrique doou um barco de fibra de carbono no valor de R$25.000 para cada um dos quatro clubes de regatas.<br />
<strong><br />
Tristeza de campeão</strong><br />
Segundo a lenda viva do remo na Península, Jorge Radel, 86, multicampeão nas raias da Ribeira na categoria four skiff (quatro tripulantes com timoneiro), não houve renovação na mentalidade dos dirigentes do esporte no Estado. “Hoje o remo está morrendo, antes, a sociedade tinha paixão, era só eu pedir auxílio para o governador Luís Viana Filho que as verbas chegavam na hora”.</p>
<p align="justify">Radel, “o diabo louro”, ainda comparece à Ribeira em dias de regatas, acompanhado pelo filho. Ele considera o nível técnico dos atletas de hoje “deveras inferior” ao do seu tempo e estende a mágoa sobre a diretoria de futebol do Vitória (clube do qual é o conselheiro mais antigo): “No futebol só tem mau-caráter, eles isolam o remo num canto”.<br />
<strong><br />
Rotina de treinamentos<br />
</strong>Quinta-feira, 4h33. Os próprios remadores do E.C. Santa Cruz trazem os remos e as embarcações para a praia, a fim de iniciarem a preparação para a penúltima etapa do campeonato baiano. Passam-se três minutos e o primeiro doublé skiff (para dois atletas) do São Salvador já está no mar.</p>
<p align="justify">São 8h de treinamentos diários de domingo a domingo. Pela manhã, os treinos vão até às 7h, pois muitos dos atletas precisam ir para o trabalho. Inexiste remuneração para os competidores. Eles praticam o remo com o máximo de dedicação e por puro amor ao esporte.<br />
<strong><br />
Herança de elite</strong><br />
Nenhum dos clubes possui escolinha para as crianças da região. O diretor de remo do Vitória, Carlos Romel, afirma que os altos custos de manutenção dos barcos que o esporte exige, fariam com que as mensalidades beirassem o custo de R$50, o que mantém a imagem do remo como a de um esporte de elite.</p>
<p align="justify">Os olhos do estudante Pablo Santos, 10, brilham ao acompanhar, de longe, as remadas dos atletas do Vitória. Ele confessa que adoraria ter a oportunidade de remar: “Eu queria aprender, mas acho que eles não deixam”. Todavia, os principiantes entre 14 e 16 anos que ingressam no remo para competir, são admitidos para os treinos em todos os clubes.<br />
<strong><br />
Remo do futuro<br />
</strong>Praticamente com o pentacampeonato baiano assegurado com uma regata de antecedência, os atletas rubro-negros só pensam na Copa Norte/Nordeste a ser disputada no Pará, no mês de novembro. Para tal, o remador categoria “sub-23” Luís Daniel de Jesus, 20, eleito o melhor do ano passado pela FBR treina de forma exaustiva no ergômetro – aparelho de musculação semelhante ao barco, presente em todos os clubes.</p>
<p align="justify">A coordenadora da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SMEL), Adriana Molin, estuda políticas de incentivo à prática do remo, além de buscar apoio de pequenas e médias empresas para investirem no esporte. Ela afirma que &#8220;tende a haver um interesse maior da sociedade em prol do resgate do remo em Itapagipe”.</p>
<p align="justify">É o que os itapagipanos esperam. Dias melhores para o remo, porque a realidade atual dos clubes de regatas da península é dura e desoladora. Faltam investimentos e sobram dívidas para as equipes. Até porque se alguém já falou que “navegar é preciso”, pode-se dizer que lá pela Ribeira, remar também é preciso.<br />
(novembro de 2006)</p>
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		<title>Península gastronômica</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jun 2007 13:56:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>

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		<description><![CDATA[Um passeio pela Cidade Baixa mostra como se pode comer bem e conhecer uma parte de Salvador quase esquecida
por João Paulo Grande
Quem pensa que os únicos atrativos da Cidade Baixa são a Igreja do Bonfim e a Ponta do Humaitá está muito enganado. A infinidade de bares e restaurantes na Península Itapagipana nos convida a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com&blog=1554968&post=57&subd=soteropolitanosdacidadebaixa&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify"><a href="http://bp3.blogger.com/_973wIKk3WZc/Rn7q-yDEEkI/AAAAAAAAAvQ/CUWh2flRyFs/s1600-h/abobora.bmp"><img style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" src="http://bp3.blogger.com/_973wIKk3WZc/Rn7q-yDEEkI/AAAAAAAAAvQ/CUWh2flRyFs/s320/abobora.bmp" border="0" alt="" /></a>Um passeio pela Cidade Baixa mostra como se pode comer bem e conhecer uma parte de Salvador quase esquecida<br />
por João Paulo Grande</p>
<p align="justify">Quem pensa que os únicos atrativos da Cidade Baixa são a Igreja do Bonfim e a Ponta do Humaitá está muito enganado. A infinidade de bares e restaurantes na Península Itapagipana nos convida a conhecer um pouco sobre uma área muito tradicional de Salvador, porém, esquecida pela população. Fazendo um tour pelos bairros, se constata que a diversidade dos bares e o clima de cidade do interior dão um tom diferente na qualidade da comida.<span id="more-57"></span><span class="fullpost"> </span></p>
<p align="justify">O primeiro passo é experimentar um tira-gosto famoso: pirão de aipim com carne do sol. Os mais famosos são os do Estaleiro, local onde fica a fábrica abandonada Tóster Barreto. Podemos dizer que é um big tira-gosto. Um tacho de barro cheio de pirão de aipim, coberto de carne-de-sol cortadinha e vinagrete por apenas R$ 6. A carne não é das melhores, mas o pirão é muito bom. Falta estrutura, é verdade, mas vale a pena curtir o visual do lugar – vista para o mar e de frente para Madre de Deus e Ilha de Maré – e tomar uma cervejinha super gelada nos fins de tarde. <a href="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/RiVjp1a_DWI/AAAAAAAAALg/86kgs8TyiWo/s1600-h/bares+carla+sampaio.bmp"></a></p>
<p align="justify">Seguindo pela Avenida Beira-Mar, encontram-se vários barzinhos e restaurantes de frente para a praia da Ribeira. Um deles é o Catraia, o mais antigo do local. Os donos são uma família de espanhóis que há mais de 30 anos estão no lugar. “Se não fosse de minha família já teria partido para outro negócio, isso desgasta muito”, exclama Manoel Perez Filho, 38 anos. O ambiente é muito agradável e calmo. A comida é boa e o carro chefe é a caldeirada. O prato tem a mistura de Espanha e Bahia, com nove frutos do mar, temperos variados e a opção de ser cozida no azeite de dendê ou molho de tomate com leite de côco, o que faz lembrar muito a paelha. É servida, ainda fervendo, em uma travessa grande. O cheiro é sensacional, só que o preço da delícia é um pouco salgado: R$ 45.<br />
<strong><br />
Belo visual<br />
</strong>Depois da Ribeira, voltando pela Beira-Mar e subindo a Ladeira do Bonfim se chega à Ponta do Humaitá. O local é lindo, agora pavimentado, limpo e com policiamento durante o dia todo. Adultos e crianças transitam pelo lugar que, no futuro, será um dos pontos da via náutica de Salvador. A brisa do mar e a bela paisagem fazem do Humaitá um dos mais belos pontos turísticos da cidade.</p>
<p align="justify">Ao sentar em um dos dois bares que existem por ali, nota-se peculiaridades no estabelecimento. O bar leva as cores e o nome do bairro onde fica o time do Boca Juniors na Argentina – La Boca – e é decorado com fotos de Maradona, Caniggia e Batistuta, ex-craques desse time. Depois que o pedido é feito ao garçom, o dono do bar vai pessoalmente entregar o prato ao cliente e pergunta: “Tudo bien?”. Ele é Carlo Mariano Gonzáles, um argentino de 47 anos, há 12 morando na Bahia. O cardápio, genuinamente baiano, traz opções de tira-gostos e comida de qualidade com preço bem camarada. González fala de seu negócio e de como pretende explorar o turismo local oferecendo serviços: “Daqui a um mês e meio monto um café-net aqui para o pessoal que vem de fora ter mais um atrativo”, conta, gastando o seu portuñol.<br />
<strong><br />
Tradição</strong><br />
Em se falando de gastronomia, o lugar mais conhecido da Cidade Baixa é a Sorveteria da Ribeira. Muito visitada por moradores de outros bairros, essa sorveteria, inaugurada em 1931, mesmo depois de passar por muitos donos diferentes ainda se mantém forte e tradicional como antes. Com um cardápio oferecendo mais de 10 sabores de sorvete, o mais procurado ainda é o de côco. O preço é bom, visto que a qualidade do produto é indiscutível. Turistas sempre visitam a sorveteria, como a carioca Andréia Santana, 26 anos, que, quando vem a Salvador visitar os parentes na Barra, sempre passa na Ribeira para tomar um sorvete. “Toda vez que venho, passo aqui e tomo um sorvetinho de côco. É muito bom, lá no Rio é bem diferente daqui”, afirma.</p>
<p align="justify"><a href="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/RiVkBFa_DXI/AAAAAAAAALo/kaIhD1Wz-ZI/s1600-h/casaroes+ludmilla+sena.bmp"></a>Outra boa pedida de fim de tarde é o famoso acarajé das Linhas Corrente, da baiana Jandira. Localizado ao lado da antiga fábrica Linhas Corrente e do Bom Preço na Avenida Imperatriz, o acarajé da baiana Jandira fica lotado de segunda a sábado, sempre das 16h às 21h. Idosos, crianças e adultos, em pouco tempo, acabam com o abará e o acarajé vendidos aos montes. Para os desavisados, uma informação: é preciso chegar cedo se quiser comer o quitute, que, com certeza, é um dos melhores da Bahia e está no mesmo ponto há mais de 15 anos.<br />
<strong><br />
Comunidade de pescadores</strong><br />
Próximo ao Humaitá fica uma localidade chamada de Pedra Furada, bem escondida e com apenas uma via de acesso. Lá existem nove restaurantes especializados em frutos do mar. O mais famoso e antigo é o da Tia Maria, que leva o nome da proprietária e é visitado por turistas estrangeiros, profissionais liberais e artistas, como Paulinho Boca de Cantor. A dona se orgulha da clientela e diz que a fama vem da boa comida e também do atendimento. “Aqui a gente preza pela qualidade e não pela quantidade”, relata Tia Maria, que há mais de 25 anos está no local. O cardápio é muito variado e a qualidade é das melhores, visto que a comunidade é de pescadores e as iguarias vêm até a porta do restaurante para serem vendidas bem fresquinhas.</p>
<p align="justify">O ambiente é muito agradável e bonito, com vista para o mar e o forte do Humaitá à distância. Ao entrar no local vemos a decoração com fotos de Bob Marley, Charles Chaplin e Che Guevara. “Isso foi meu filho que colocou”, fala Maria, que se orgulha de ter formado os dois filhos com os recursos do trabalho em seu restaurante. Os tira-gostos são excepcionais. Uma porção de agulhinhas fritos (peixe pequeno e fino) sai por R$ 7 e cai muito bem com uma cervejinha gelada. Pratos com lagosta, polvo e camarão também são muito pedidos.<br />
(junho de 2003)</p>
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		<title>Amigos da várzea</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jun 2007 13:52:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[ESPORTE]]></category>

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		<description><![CDATA[ por João Paulo Grande

Desde que o futebol se popularizou, os campeonatos de várzea atraem público e movimentam os fins de semana dos bairros. Na península Itapagipana, a várzea tem um grande circuito de jogos entre times da própria Cidade Baixa, movimentando a economia e levando diversão para quem está com o bolso vazio. Sempre [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com&blog=1554968&post=56&subd=soteropolitanosdacidadebaixa&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify"><a href="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/Rm_3PCDEECI/AAAAAAAAAqc/VBR8PYZEMpA/s1600-h/campinho+joao+grande.bmp"><span><img style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" src="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/Rm_3PCDEECI/AAAAAAAAAqc/VBR8PYZEMpA/s320/campinho+joao+grande.bmp" border="0" alt="" /></span></a><span> por João Paulo Grande</span></p>
<p align="justify">
<p align="justify"><span>Desde que o futebol se popularizou, os campeonatos de várzea atraem público e movimentam os fins de semana dos bairros. Na península Itapagipana, a várzea tem um grande circuito de jogos entre times da própria Cidade Baixa, movimentando a economia e levando diversão para quem está com o bolso vazio. Sempre aos domingos, verdadeiros clássicos nos campos do Lasca, na Ribeira, do Torebão, no Mont Serrat e no campo da Boa Viagem, na praia da Boa Viagem, trazem pessoas de bairros vizinhos para assistir aos jogos e, de alguma forma, consumir o que é vendido no local.<span id="more-56"></span></span><span class="fullpost"></span><span class="fullpost"><span> </span></span></p>
<p align="justify">Mais de 500 pessoas na pequena arquibancada prestigiam os jogos no campo da Boa Viagem nas manhãs de domingo. A grande movimentação começa bem cedo, com os barraqueiros e organizadores das partidas arrumando tudo: bandeiras de escanteio, marcação do campo com cal e mesas de barracas para a festa depois dos jogos. A barraqueira Maria da Conceição, 43, gosta dos jogos, pois, o público, além de ir assistir o futebol, vai tomar um banho de mar e consumir em seu estabelecimento. “Com certeza tenho mais lucro quando tem o baba. Sempre o pessoal vem tomar uma cervejinha depois do jogo e a gente fica bem contente”, conta. Além das barracas, vendedores ambulantes deixam o ambiente mais colorido, circulando pelo local vendendo caldo de cana, água de côco, lanches e bebidas.</p>
<p align="justify">Na Ribeira, no campo do Lasca, os jogos e o público têm um caráter mais profissional do que na Boa Viagem. Os times são mais organizados e os minúsculos bares que circundam o campo cercado de grades ficam cheios de espectadores, na maioria aposentados. Por não estar tão próximo da praia como o campo da Boa Viagem e, por isso, só ter o atrativo do futebol, as pessoas que vão a esse campo costumam ser moradores locais. O motorista aposentado José Luis Feitosa, 57 anos, afirma que sempre aos domingos se encontra com os amigos antigos do bairro. “Depois que me aposentei sempre visito o Lasca. Fui criado no local e meus amigos vêm pra cá tomar uma cervejinha, comer um tira gosto e bater papo”, comenta.<br />
<strong><br />
<span>Clima familiar</span></strong><span><br />
Um dos campos mais antigos de todos é o Torebão, chamado carinhosamente de Toreba pelos moradores do Mont Serrat. Em frente ao campo ficam um mini mercado e uma pizzaria. Foi necessário que se construísse uma tela protetora depois da linha de fundo no campo, para que eventuais boladas não atravessem a rua e atinjam um prato de pizza dentro do estabelecimento. Os jogos nos fins de semana nesse campo, são feitos por profissionais liberais e aposentados, que moram e jogam no local há muito tempo. Geralmente, depois das </span><a href="http://bp0.blogger.com/_973wIKk3WZc/RiVgfla_DRI/AAAAAAAAAK4/DeaqONft0F8/s1600-h/domino+joao+paulo+grande.bmp"></a><span>partidas, todos vão para a pizzaria comer e jogar conversa fora. Nos babas que vão se sucedendo ao longo do dia, a faixa etária vai diminuindo, assim, os primeiros a jogar pela manhã, acabam vendo os netos jogando no fim da tarde. “Meu avô e meu tio jogaram hoje pela manhã e agora sou eu”, cita João Lucas, 23 anos, que assistiu os jogos do tio e do avô, que são médicos, e também o vêem da pizzaria.<br />
(junho de 2003)</span></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/56/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/56/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com/56/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com&blog=1554968&post=56&subd=soteropolitanosdacidadebaixa&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Tabuleiro da resistência</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jun 2007 13:46:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[PERFIS]]></category>

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		<description><![CDATA[
por Murilo Alves
Bolinho de estudante, acarajé e abará. Se tais quitutes são capazes de despertar o apetite de boa parte dos baianos, pode-se dizer que esses elementos tão presentes na culinária da Bahia adquirem um valor simbólico especial quando ganham forma por meio das mãos de Valdete Pereira dos Santos, 59, a popular “Val do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com&blog=1554968&post=55&subd=soteropolitanosdacidadebaixa&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify"><a href="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/Rm_2KCDEEBI/AAAAAAAAAqU/fywi9XwKwl0/s1600-h/dende.bmp"><img src="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/Rm_2KCDEEBI/AAAAAAAAAqU/fywi9XwKwl0/s320/dende.bmp" border="0" alt="" /></a></p>
<p align="justify">por Murilo Alves</p>
<p align="justify">Bolinho de estudante, acarajé e abará. Se tais quitutes são capazes de despertar o apetite de boa parte dos baianos, pode-se dizer que esses elementos tão presentes na culinária da Bahia adquirem um valor simbólico especial quando ganham forma por meio das mãos de Valdete Pereira dos Santos, 59, a popular “Val do Bonfim”.<span class="fullpost"><span style="font-size:100%;"> <span id="more-55"></span></span></span></p>
<p align="justify">Natural de Nazaré das Farinhas, no interior do Estado, onde morou até os 16 anos com os pais e 18 irmãos, em uma casinha de barro forrada com pedaços de lona e de papelão, dona Val foi a responsável não só pela criação dos demais filhos de Edinaldo Garcia Pereira e Elisabete dos Santos Pereira, o primeiro, caseiro de uma fazenda da tradicional família Falcão, enquanto que a segunda era dona-de-casa, além de lavar roupas para terceiros, no intuito de ajudar no sustento da família.</p>
<p align="justify">“Tinha dia que a gente passou mesmo foi fome. Mainha fazia uma mistura com farinha e café para nós tudo, 18 irmãos”, afirma dona Val, com a voz embargada e lágrimas nos olhos. Atualmente, ela mora no bairro da Pedra Furada, em Salvador, próximo da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim, onde coloca o seu tabuleiro diariamente há 25 anos ininterruptos.</p>
<p align="justify">Após a morte dos pais no interior, Valdete e os irmãos resolveram migrar para a capital, dividindo-se entre as casas dos tios e primos que já moravam em Salvador, pois assim, segundo ela, haveria mais oportunidades para buscar dias melhores, realidade que começou a vingar na década de 80, quando dona Val passou a aprimorar uma herança que foi sendo transmitida entre as mulheres da família: a fazenda de especiarias originárias do continente africano, mas tão típicas da cultura baiana, a exemplo do acarajé (acará, que em iorubá significa “bola de fogo” e jé “comer”) e do abará.</p>
<p align="justify">Desde então, dona Valdete já havia se dado conta de que os anos em que foi privada dos estudos, em decorrência do fato de ter que ajudar os pais na criação dos irmãos, seria uma adversidade considerável para que conseguisse um trabalho bem remunerado, como em uma empresa, sendo doutora ou exercendo algum cargo de maior status diante da sociedade. A solução encontrada não poderia ser diferente: o ofício ensinado por dona Elisabete seria posto em prática até os dias de hoje.</p>
<p align="justify">Mas para chegarmos aos dias atuais, “muita água já passou debaixo dessa ponte”, provérbio popular constantemente reproduzido pelos lábios dessa senhora negra, de corpo frágil, rigorosamente vestida a rigor para exercer a profissão que adotou com muito amor e orgulho, estimulada também pelas circunstâncias de uma vida difícil, mas ainda bela, apesar de tudo.</p>
<p align="justify">A beleza proporcionada pelo contraste da cor branca do pano de torso, do turbante e das saias rodadas em contraposição com a tonalidade escura da pele de Val chama a atenção. Em algumas horas de descontraída conversa diante da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim – ponto do ganha-pão dessa ilustre mulher do povo, a companhia do cigarro barato (apesar de um recente enfarto) na mão canhota de dona Valdete não pôde passar despercebida, tradução em gestos de “Maneiras”, samba preferido por ela, que se orgulha de ser uma das primeiras associadas do bloco carnavalesco “Alerta Geral”.</p>
<p align="justify">Em um dos versos da composição do sambista carioca Zé Roberto, interpretada por Zeca Pagodinho, a letra diz: “Se eu quiser fumo eu fumo/se eu quiser beber eu bebo/pago tudo que eu consumo com o suor do meu emprego”, é o que dona Val costuma chamar de “filosofia de quintal”, ou seja, aquele tipo de ensinamento que não é assimilado na universidade, mas na vivência do cotidiano.</p>
<p>Distante da mídia<br />
Ao contrário de algumas colegas de profissão, tais como Regina, Dinha e Cira, todas que gozam de considerável renome na mídia baiana, dona Val se mostra um poço de humildade ao afirmar que admira e respeita o trabalho de todas as baianas de acarajé, sem distinções, independentemente da atenção destinada pelos meios de comunicação da cidade: “eu fiz minha vida aqui fritando acarajé e cortando coco, não faço questão de aparecer na TV para ganhar o meu respeito, mas sei que só faz esse trabalho quem ama muito”, disse.<span style="font-size:100%;"> Ela permanece morando de aluguel em uma casa com banheiro, sala e apenas um quarto pequeno, onde divide a única cama com a neta Marília, 12, que também ajuda a avó nas vendas de água mineral e refrigerante: “minha vó foi que me criou, eu gosto muito de minha mãe, mas eu considero mais minha avó”, afirma a neta mais velha de um total de seis, entre as duas filhas de Val.<br />
</span><br />
Negona nota 10<span style="font-size:100%;"><br />
O Bonfim é um bairro tradicional de Salvador não – somente pela presença da construção do símbolo mais famoso do sincretismo religioso no Estado – a Igreja do Bonfim, mas também por conseqüência da longevidade e do bairrismo de seus moradores, que dificilmente migram para a o centro ou para a orla da capital. Para um de seus moradores mais antigos, o vendedor de camisetas Albérico Alves de Almeida, 89, “a baiana Val é um presente que Nazaré das Farinhas mandou para alegrar quem vive no Bonfim”.</span></p>
<p align="justify">Seja entre os vendedores ambulantes de cafezinho, de peixes ou frutas, além dos moradores de outros pontos da cidade que visitam o bairro para assistirem às missas de sexta-feira, dona Val chega a se cansar de tanto responder as chamadas das pessoas que a cumprimentam, enquanto prepara a massa para a fritura no dendê: “rapaz, eu vendo minha fitinha do Senhor do Bonfim aqui faz mais de ano, e essa baiana ta sempre aí, faça chuva ou faça sol, nunca nega nada para os vendedor, a negona é nota 10”, comenta o vendedor Carlos José dos Santos, 32, há 12 anos trabalhando próximo a Val.</p>
<p>Rotina de Lutas<br />
Valdete trabalha de terça-feira a domingo, inclusive feriados, na parte alta da “colina sagrada”, abaixo de um guarda-sol de cor laranja, doado recentemente pela Prefeitura. É o seu sobrinho Sotero Pereira, 30, quem tem o trabalho diário de subir a ladeira com o balaio de palha onde a tia guarda a mercadoria para as vendas em uma bicicleta “sem marcha e sem freio”, como o rapaz costuma dizer, aos risos.</p>
<p align="justify">O galo ainda nem cantou às 5h, momento exato de todos os dias em que o despertador de dona Val se manifesta para acordar a responsável pela renda da família. Ela aproveita para ralar o coco e separar o amendoim para produzir as famosas cocadas postas a disposição dos clientes em seu tabuleiro. Duas horas depois, Valdete tem a difícil missão de acordar a neta Marília, pois se aproxima a hora do colégio: “eu não tive como estudar, mas não quero que a minha neta passe a vida toda cortando coco como eu”, confessa, em um dos muitos relatos em que se é difícil controlar a emoção. Às 9h, a baiana Val assume o seu posto defronte a igreja, até o final do dia.</p>
<p>Mãos de Iansã<br />
<span style="font-size:100%;">As mãos calejadas de dona Val são também conhecidas por turistas de todo o mundo, acostumados a retornarem a Bahia todos os anos para pagarem as promessas que fazem ao Senhor do Bonfim, sempre que alcançam suas graças: “tem gringo dos state, alemão, como é? Casal de argentino que fazem questão de pedir a benção pra mim sempre que estão aqui. Essas mãos de Iansã tem feitiço meu filho, eles sempre voltam”, afirma, devota do candomblé.</span></p>
<p align="justify">São também as mãos responsáveis por um tabuleiro da resistência da afrobaianidade, da mulher solteira, de uma grande figura do povo e da cultura de Salvador, da Bahia e de todo o Brasil. Valdete Pereira dos Santos, a Val do Bonfim, pobre em sua condição financeira, guerreira, negra, síntese maior da garra e da força da mulher brasileira.<br />
(novembro de 2006)</p>
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		<title>“Vai uma fitinha aí?!”</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jun 2007 13:44:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>

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por Patrícia Bitencourt
Subir a Colina Sagrada da Igreja do Bonfim para pagar promessas ou simplesmente para pedir proteção ao santo padroeiro da Bahia é uma tradição que remonta várias décadas e atravessa gerações. Mas para o ritual ser completo é necessário um adereço fundamental: a fitinha do Senhor do Bonfim. É aí que entra mais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdacidadebaixa.wordpress.com&blog=1554968&post=54&subd=soteropolitanosdacidadebaixa&ref=&feed=1" />]]></description>
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<p align="justify">por Patrícia Bitencourt</p>
<p align="justify">Subir a Colina Sagrada da Igreja do Bonfim para pagar promessas ou simplesmente para pedir proteção ao santo padroeiro da Bahia é uma tradição que remonta várias décadas e atravessa gerações. Mas para o ritual ser completo é necessário um adereço fundamental: a fitinha do Senhor do Bonfim. É aí que entra mais uma tradição local: os vendedores ambulantes, tentando, a todo custo, comercializar os seus produtos.<span class="fullpost"><span style="font-size:100%;"> <span id="more-54"></span></span></span></p>
<p align="justify">Com camisas, santinhos, patuás e outros souvenires, eles chegam de forma insistente, penduram colares e amarram fitinhas de forma que o cliente sinta-se forçado a levar um produto. Cristina Vasconcelos, advogada, 32 anos, conta que ficou intimidada e surpresa com a abordagem. “Sou do Rio de Janeiro e é a primeira vez que venho à Bahia, e sempre senti vontade de conhecer a Igreja do Nosso senhor do Bonfim. Mas, logo que cheguei os vendedores se aproximaram de forma agressiva querendo a qualquer custo que eu comprasse as fitinhas”, diz.</p>
<p align="justify">Ao redor da Igreja há algumas lojas que vendem produtos religiosos também, porém com o preço parecido ou menor que os vendidos pelos ambulantes. Alguns deles não quiseram se identificar, mas todos concordam que os ambulantes agridem a imagem da Bahia e lesam os turistas desavisados. “Outro dia eles venderam para um casal de São Paulo 10 fitinhas por R$25 e quando os dois entraram aqui na minha loja e viram 32 fitinhas por R$1 ficaram indignados. Deu até polícia”, comenta Antônio Arruda, comerciante local há mais de 30 anos. Um outro dono de loja que não quis se identificar afirmou que os ambulantes não atrapalham na renda do estabelecimento, já que este tem preço baixo e uma clientela fixa. Mas, conta que o número de turistas tem diminuído.</p>
<p align="justify">Para os ambulantes, a abordagem é uma forma de conquistar o cliente e oferecer o produto antes dos outros vendedores. “A concorrência aqui é grande, ou corre e chega primeiro ou fica para trás, mas a gente aqui é da paz. Nós perturbamos, mas não atacamos”, diz Lázaro Santos, 22 anos, há três anos trabalhando no Bonfim. Lázaro foi pai aos 17 anos e sentiu que era necessário ir em busca de uma renda para que pudesse sustentar o filho. Por influência de um primo que já trabalhava como ambulante, pegou um dinheiro emprestado, comprou mercadorias religiosas e foi para o Bonfim. Dessa forma está vivendo e o dinheiro tirado ali é o sustento da sua família. Ele diz que a renda varia muito, mas que bom mesmo é de dezembro a fevereiro, quando já conseguiu em um único dia R$350.</p>
<p align="justify">Maria do Carmo, 61 anos, diz não se recordar há quanto tempo trabalha na frente da Igreja. “Tem muitos anos, nem me lembro. Quem começou com essa idéia foi meu marido. Hoje ele já está lá do lado do Nosso Senhor do Bonfim, rezando aqui por mim. Mas, quando a gente começou era melhor, os lucros eram maiores. Hoje a concorrência é grande e os meninos, os mais novos, têm pique de ficar correndo atrás de turista. Eu ofereço daqui, sentadinha mesmo”, comenta.</p>
<p align="justify">Gleidson de Jesus, 19 anos, há seis meses trabalhando no Bonfim, resolveu virar ambulante porque o pai (ambulante na Avenida Sete de Setembro) ameaçou expulsá-lo de casa, se não arrumasse um trabalho para ajudar na renda. Mas, diz que o melhor mesmo de ter um “dinheirinho” no final da semana é quando sobra um trocado para a diversão. “Oxe! Eu pego as periguetes, levo para a praia, tomo umas cervejinhas, aí eu sinto que meu dinheiro foi bem investido”, diz.</p>
<p>Uniformizados<span style="font-size:100%;"><br />
Em janeiro deste ano, a Secretaria Municipal de Serviços Públicos (Sesp) começou um projeto de cadastramento dos ambulantes de toda a capital. Além dos coletes, eles usam crachá com identificação e um cadastro das mercadorias vendidas. O objetivo da secretaria é facilitar o ordenamento do comércio e evitar a ação de vendedores clandestinos e de mercadorias contrabandeadas. Cada localidade de serviço tem uma cor diferente, os ambulantes do Bonfim estão com os uniformes azuis.</span></p>
<p align="justify">Para o presidente do Sindicato dos Ambulantes, João Prazeres, a medida está sendo positiva, pois tem evitado também a migração dos ambulantes para outras áreas. &#8220;A identificação beneficia quem trabalha de forma correta. Seria interessante que aqueles que ainda se encontram na clandestinidade passem a aderir ao projeto&#8221;, afirmou Prazeres. Os vendedores cadastrados pagam a cada três meses R$58 para a Sesp.</p>
<p align="justify">Mas ainda há quem não concorda com o projeto, muitos alegam que a renda advinda dos produtos são baixas, e pagar taxas e impostos não sobra muito. Mesmo com a ação do sindicato e da prefeitura de cadastrar todos os ambulantes, muitos preferem trabalhar na clandestinidade. “Logo quando fui para o Bonfim, começou esse negócio de padronizar os ambulantes. Aí foi que deu merda, esse negócio de ainda ter que dividir dinheiro com prefeitura não dá certo não, aí sou clandestino”, diz o ambulante.</p>
<p align="justify">O pároco da Basílica do Nosso Senhor do Bonfim, monsenhor Walter Pinto, que há 25 anos está no comando da igreja, diz que, além dos turistas, muitos fiéis têm reclamado da abordagem dos ambulantes. “Tenho recebido queixas até mesmo daqueles que sempre freqüentam a paróquia. Mas acho que é mais uma forma de trabalho, o que eu acho é que antes de padronizar esses vendedores, deveriam ensiná-los, montar cursos, seminários de como abordar sem agredir. Com certeza todos sairiam ganhando”, disse o padre.<br />
(novembro de 2006)</p>
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