Comerciantes, turistas, ambulantes, mendigos, “meninos de rua”, prostitutas, traficantes e moradores, todos fazem parte do cotidiano do transporte vertical de Salvador. Para poder percorrer a Cidade alta e a Cidade baixa, o Elevador Lacerda é o principal ponto de transição da cidade. Um meio de transporte rápido, barato e antigo, que caracteriza o bairro do Comércio.
De acordo com informações publicadas no site da Secretaria de Transporte Público (www.stp.salvador.ba.gov.br), o Elevador foi idealizado pelo comerciante Antônio Lacerda, que trabalhava na Companhia de transportes urbanos de Salvador. Até 1896, era conhecido como Elevador Hidráulico da Conceição ou Elevador Parafuso, mas mudou de nome e tornou-se o Elevador Lacerda.
A última reforma foi realizada em 1998, e teve como prioridade a colocação de pedras de granito nas laterais e no piso e toda a recuperação elétrica e estrutural do prédio. De acordo com o coordenador do Elevador Lacerda, Everaldo Gomes, a manutenção mecânica é realizada mensalmente pela empresa OTIS, responsável pela construção e por todos os equipamentos do prédio. Se houver alguma emergência e alguém ficar preso em uma de suas quatro cabines, os funcionários são orientados a chamar a equipe mecânica do Elevador, composta por profissionais formados na área.
Segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura Municipal de Salvador, na baixa estação o Elevador transporta 27 mil pessoas, e na alta estação, ou seja, no verão, de 30 a 40 mil pessoas, pagando R$0,05 pelo serviço. “Mesmo assim, o que se arrecada aqui não dá para pagar nada, todo custo de manutenção é subsidiado pela Prefeitura”, relatou Gomes.
Mesmo com equipamento antigo, Everaldo garante que só houve um acidente no local há 30 anos atrás. “Uma senhora ficou presa no elevador e um funcionário, ao tentar salvá-la, perdeu as pernas”, contou Luis Jorge Dias, supervisor do período da manhã no Elevador.
Hoje
Funcionando 24h e com funcionários se revezando em quatro turnos, quem usa o meio de transporte também está sujeito a assaltos. “Já aconteceu inúmeras vezes”, contou Everaldo Gomes. Ele mesmo afirma que, por ser barato, talvez seja o meio de locomoção mais democrático de Salvador, por isso, podendo acontecer tais fatalidades. Os assaltos acontecem mais freqüentemente no turno da madrugada. “Até às 22h, passam os cidadãos de bem. Após esse horário e até às 5h da manhã só têm prostitutas, traficantes e travestis”, disse o coordenador do Elevador Lacerda. Para a segurança de quem trabalha nesse horário, é necessária a ajuda de policiais. Outro problema enfrentado pelo prédio é a falta de vigia e a falta de serviço de limpeza. Segundo o supervisor
do turno da tarde, Antônio da Costa, após as eleições, ocorreram inúmeras demissões no prédio. “Os funcionários da limpeza e os vigilantes não eram concursados. O governo demitiu todos e prometeu realizar um concurso para admitir novos empregados”, explicou Antônio.
Apesar dos inúmeros problemas, o Elevador Lacerda ainda é o meio de transporte mais famoso e característico do bairro do Comércio. É o elo entre as duas faces da metrópole baiana, onde pobres e ricos, trabalhadores e desempregados, baianos e estrangeiros encontram-se em igualdade, ainda que por 20 segundos.
(novembro de 2006)
ELEVADOR LACERDA
por Everaldo Cerqueira
Marco de divisa urbana monumental,
De graça e beleza.
Nascestes magestoso encravado na rocha,
Beirando o relevo da natureza.
Entre todos os monumentos baianos,
Nos postais és o primeiro.
A sua grandiosidade arquitetônica,
Entre os monumentos és o pioneiro.
Surgistes entre paisagens de casarios barrocas,
Com estética, harmonia e sutileza.
De todas as classes és serventia,
Na condução com presteza.
Fostes idealizado por um gênio:
Que pelo feito, tornou-se imortal.
Surgistes não para homenagear,
Mas para servir…
Não há a quem glorificar,
Mas para o porvir,
Que lhe há de eternizar…
SSA, 25/04/2006
