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Competição entre as financeiras no Comércio

por Luís Henrique Martins

Olhares preocupados. Nas mãos, alguns folhetos de propaganda. Passos mais cautelosos nas avenidas mais movimentadas do Comércio. São alguns sinais que não passam despercebidos a Elmo Silva. Ele é um dos corretores de uma das dezenas de financeiras que atraem diariamente milhares de pessoas ao bairro tentando arranjar dinheiro “sem burocracia”. Num ambiente onde é comum palmas, assobios e até cantorias para chamar a atenção dos clientes, Silva acredita numa abordagem diferenciada. “A educação aqui é uma saída para o sucesso nas vendas. Precisamos ser diretos e francos, mas sem extrapolar”, dá a dica.

As lojas das financeiras são bastante próximas e, estrategicamente, adotam elementos para diferenciar principalmente suas fachadas e funcionários. Entre esses elementos, alguns anúncios são mais apelativos, como “dinheiro fácil na hora”, e outros mais contidos, como “empréstimo pessoal”, apenas. “O que vale é entreter o cliente, principalmente para que ele possa se sentir seguro conosco”, ressalta a atendente financeira Kelly Borba.

Neste ambiente competitivo, os corretores com seus uniformes coloridos, por sua vez, demarcam o território das financeiras. Há uma regra informal que dita que eles devam se posicionar na calçada da própria loja para qual trabalha e tente dali conseguir atrair sua clientela. Regra quebrada, frequentemente, por um corretor que preferiu não se identificar. Ele percebe quando uma senhora olha rapidamente para “sua calçada”, mas segue em direção a uma financeira concorrente. Antes que ela consiga chegar ao outro lado, silencioso, a alcança, sorriso no rosto, oferece um folheto. Em menos de um minuto, a cliente retorna e adentra a loja que o corretor representa. Questionada sobre o porquê da escolha, a funcionária pública federal Rejane Lúcia diz que a taxa de juros oferecida 6% foi o maior atrativo. “O corretor foi bem cortês e direto, isso importa também”, diz a funcionária pública.

No interior da loja, uma atendente faz as perguntas de praxe – como valor pretendido de empréstimo e comprovação de renda da funcionária pública – e foi prontamente respondida. Na sequência, ofereceu uma simulação num sistema de parcelas iguais. Os juros anunciados não estavam contidos nestas parcelas. No entanto, a funcionária pública não faz qualquer verificação, pede apenas um instante a atendente, realiza uma ligação telefônica, e pergunta: “Se por acaso eu conseguir o dinheiro antes do prazo posso vir resgatar os cheques e ter um abatimento?”. A atendente responde afirmativamente: “Os juros já estão contidos nestas parcelas e quando você quitá-las, zerará o saldo devedor. A taxa de juro incide sempre sobre o saldo devedor, e como ele tem uma redução, este saldo também diminuirá”.

“Limpar o nome”
Para Leandro Cunha, analista de crédito, a diferença entre as financeiras para o consumidor poderá surgir da prática da consulta antes de fechar o negócio. É o caso da balconista Elisabete Nascimento, que pelo segundo dia consecutivo, troca o horário de almoço para pesquisar uma alternativa nas financeiras do bairro para “limpar seu nome” nos órgãos de proteção ao crédito, devido a dívidas com cartão de crédito e contas de telefone. Segundo Elisabete, que ainda não fez sua escolha, algumas financeiras não tratam bem seus clientes no atendimento, mas, ainda assim, fazem boas ofertas.
(novembro de 2006)

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