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Bom e Barato

por Érica Maciel

A rua Direta do Uruguai conta com um vasto comércio, onde é possível encontrar produtos de siderurgia a vestuário. É lá que está localizado o shooping Bahia Outlet Center, com 241 lojas distribuídas em três alas. Inaugurado em 24 de abril de 1997, o shopping é o mais importante comércio de vestuário da cidade baixa. O Outlet começou como uma pronta entrega e hoje é sinônimo de boa compra para os seus freqüentadores.

Segundo o publicitário Raimundo Rocha, responsável pela propaganda do Outlet, a linguagem comercial deve ser voltada para cada ocasião, de forma que atinga todas as classes. O publicitário, que está na sua primeira campanha com o shopping, disse que procurou elaborar a campanha atrelando valores às pessoas e ao Outlet, ao mesmo tempo. “Essa idéia de falar em comportamento é uma forma de atrair as pessoas e deu certo”, disse. A chefe do departamento de marketing, Rosema Maluf, disse que 91% dos freqüentadores do Outlet são as mulheres, devido ao grande número de lojas de roupas femininas. Rosema afirmou que há uma predominância de freqüentadores de classe média e média baixa, embora o shopping seja muito freqüentado também por pessoas dos bairros da cidade alta, como Barra e Itaigara.

O shopping tem lojas de vestuário para todas as idades, além de calçados, artigos esportivos e uma praça de alimentação. O Outlet conta com uma clínica dentária e irá inaugurar um centro médico com todas as especialidades. Rosema disse que o objetivo é oferecer atendimento bom e barato não só para as pessoas que freqüentam o shopping, mas também para os moradores do Uruguai.

O Outlet Center é muito visitado por jovens de 26 a 35 anos que somam 36,8% dos consumidores. A chefe do departamento de marketing disse ainda que entre as pessoas que vão ao Outlet 24% pertence à classe B e 59% a classe C, isto é, pessoas com a renda entre seis a 10 salários mínimos. Para ela, que coordena um pólo de confecções na península de Itapagipe, a rua Direta do Uruguai é o mais importante centro de confecções da cidade e um ponto tradicional de fabricação de confecções na cidade. Segundo ela, 20% de todas as empresas do segmento de Salvador estão instaladas no Uruguai.

Em abril de 2004, o Bahia outlet Center criou um APL, Arranjo Produtivo Local. O objetivo da APL é incentivar a cooperação de empresas para que se tornem mais competitivas nos mercados nacionais e internacionais. “Para nós o mais importante é a criação de novos empregos e renda no bairro”, afirmou Rosema, que é uma das gestoras do projeto.

Frequentadores

A empresária Márcia Velanes abriu uma loja de roupas infantis há nove meses, ela disse que o shopping é freqüentado por pessoas de todas as classes, mas há uma presença maior dos moradores do Uruguai. A lojista disse que o movimento não é melhor não só por causa da crise, mas pela falta de transporte que, segundo ela, é muito precário. “O transporte é um ponto negativo para nós porque não é fácil achar ônibus que passe perto do shopping”, afirmou.
A estudante Sara de Jesus, 21 anos, é moradora do Uruguai e freqüenta o Outlet desde que foi inaugurado. Para a estudante, o acesso não é problema e o que mais a atrai no shopping além do preço baixo é a interação que ela tem com as pessoas. “É mais em conta para quem é do bairro”, disse a estudante que mora perto do Outlet. Sara disse que apesar do grande número de lojas com preço mais alto o shopping ainda é muito popular.

Elenice Rebouças trabalha há seis meses numa loja de roupa feminina no Outlet. A vendedora disse que a loja existe em outros shoppings de classe alta, mas que o número de produtos vendidos está na mesma proporção. Elenice Rebouças afirmou que a loja é freqüentada por pessoas de todas as classes e que o movimento é maior em datas comemorativas. Ela também acredita que o movimento não é maior porque o acesso ao shopping é muito ruim: “Por causa do transporte o Outlet é freqüentado mais pelos moradores do bairro”.

Finais de semana
O movimento no Outlet tem crescido nos fins de semana. Para a chefe do marketing, isso se deve ao entretenimento que o shopping tem oferecido às pessoas. “Esse mês teremos um concurso de poesia e uma exposição de quadros e uma quadrilha junina formada por crianças do bairro”. A estudante Rosana de Oliveira disse que vai ao Outlet todo o fim de semana. A estudante acha que o shopping perdeu um pouco de sua popularidade por causa do grande número de lojas de grife. Para ela, hoje o que importa no Outlet é a música ao vivo que tem nos sábados. “Não acho que seja um local só para as pessoas pobres”, afirmou.
(junho de 2004)

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