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Amigos da várzea

por João Paulo Grande

Desde que o futebol se popularizou, os campeonatos de várzea atraem público e movimentam os fins de semana dos bairros. Na península Itapagipana, a várzea tem um grande circuito de jogos entre times da própria Cidade Baixa, movimentando a economia e levando diversão para quem está com o bolso vazio. Sempre aos domingos, verdadeiros clássicos nos campos do Lasca, na Ribeira, do Torebão, no Mont Serrat e no campo da Boa Viagem, na praia da Boa Viagem, trazem pessoas de bairros vizinhos para assistir aos jogos e, de alguma forma, consumir o que é vendido no local.

Mais de 500 pessoas na pequena arquibancada prestigiam os jogos no campo da Boa Viagem nas manhãs de domingo. A grande movimentação começa bem cedo, com os barraqueiros e organizadores das partidas arrumando tudo: bandeiras de escanteio, marcação do campo com cal e mesas de barracas para a festa depois dos jogos. A barraqueira Maria da Conceição, 43, gosta dos jogos, pois, o público, além de ir assistir o futebol, vai tomar um banho de mar e consumir em seu estabelecimento. “Com certeza tenho mais lucro quando tem o baba. Sempre o pessoal vem tomar uma cervejinha depois do jogo e a gente fica bem contente”, conta. Além das barracas, vendedores ambulantes deixam o ambiente mais colorido, circulando pelo local vendendo caldo de cana, água de côco, lanches e bebidas.

Na Ribeira, no campo do Lasca, os jogos e o público têm um caráter mais profissional do que na Boa Viagem. Os times são mais organizados e os minúsculos bares que circundam o campo cercado de grades ficam cheios de espectadores, na maioria aposentados. Por não estar tão próximo da praia como o campo da Boa Viagem e, por isso, só ter o atrativo do futebol, as pessoas que vão a esse campo costumam ser moradores locais. O motorista aposentado José Luis Feitosa, 57 anos, afirma que sempre aos domingos se encontra com os amigos antigos do bairro. “Depois que me aposentei sempre visito o Lasca. Fui criado no local e meus amigos vêm pra cá tomar uma cervejinha, comer um tira gosto e bater papo”, comenta.

Clima familiar

Um dos campos mais antigos de todos é o Torebão, chamado carinhosamente de Toreba pelos moradores do Mont Serrat. Em frente ao campo ficam um mini mercado e uma pizzaria. Foi necessário que se construísse uma tela protetora depois da linha de fundo no campo, para que eventuais boladas não atravessem a rua e atinjam um prato de pizza dentro do estabelecimento. Os jogos nos fins de semana nesse campo, são feitos por profissionais liberais e aposentados, que moram e jogam no local há muito tempo. Geralmente, depois das
partidas, todos vão para a pizzaria comer e jogar conversa fora. Nos babas que vão se sucedendo ao longo do dia, a faixa etária vai diminuindo, assim, os primeiros a jogar pela manhã, acabam vendo os netos jogando no fim da tarde. “Meu avô e meu tio jogaram hoje pela manhã e agora sou eu”, cita João Lucas, 23 anos, que assistiu os jogos do tio e do avô, que são médicos, e também o vêem da pizzaria.
(junho de 2003)

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